sexta-feira , 12 julho 2024
Home / Política / SC vira palco nesta eleição nervosa que será decidida por renda e religião

SC vira palco nesta eleição nervosa que será decidida por renda e religião

Numa eleição nervosa, que deve ser decidida pela renda e religião das pessoas, Santa Catarina com apenas 3,52% do eleitorado nacional ganhou palco pela já conhecida densidade bolsonarista e pela surpreendente reação petista. Deverá receber a visita dos dois candidatos a presidente nos palanques dos candidatos ao governo Jorginho Mello (PL) e Décio Lima (PT).

O segundo turno iguala os candidatos. No início da propaganda eleitoral no rádio e na TV nesta sexta, as campanhas já mostraram a que vieram. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o passado foi melhor nos seus dois mandatos, mas quer olhar pra frente, para “unir o Brasil num futuro de paz, democracia e prosperidade”. Para isso, deve focar em propostas econômicas como o Desenrola, programa para renegociar dívidas das famílias, e no aumento real do salário mínimo. Mas está demorando para, por exemplo, anunciar sua equipe econômica, já que conta com apoio de Armínio Fraga e todos os economistas pais do Plano Real e da estabilização econômica.

Bolsonaro diz que isso é “lero-lero”, festeja “o sentimento de pátria, futuro seguro e amor ao Brasil” que teria lhe dado 51 milhões de votos no primeiro turno, 6 milhões a menos que Lula, e apresenta o apoio de oito governadores já eleitos.

Jorginho e Décio colam nos seus respectivos e terão de se esforçar para mostrar mais do que o legado nacional. Jorginho tem recursos aplicados por emendas parlamentares e Décio dois mandatos como prefeito de Blumenau, já que nenhum dos dois ocupou cargo executivo majoritário ainda.

No mais, buscam narrativas para sensibilizar o numeroso eleitorado feminino com renda mais baixa e perfil conservador que deve decidir essa eleição. Jorginho apela à religião e acaba de conseguir importante apoio de evangélicos, embora tenha flertado com a maçonaria no primeiro turno. Décio apela à ciência, ao combate à fome e conta sua própria jornada de esperança e superação, tanto para vencer a poliomelite quanto para se manter nesta disputa.

(Divulgação)

Peso da Capital
Das 11 maiores cidades de Santa Catarina, acima de 100 mil habitantes, Florianópolis foi a que as votações de Bolsonaro e Lula ficaram mais equilibradas, com 45% dos votos válidos para o atual presidente e 42% para o ex-presidente petista. Também foi a única em que Jorginho não ganhou, aliás, ficou em terceiro lugar. O ex-prefeito Gean Loureiro (União Brasil) terminou em primeiro com 102 mil votos (33%), seguido por Décio Lima (PT), com 75 mil votos (24%). Com perspectiva de melhorar o desempenho, já que fez 68 mil votos, apenas 22% dos votos válidos na Capital, o candidato do PL festejou o apoio do prefeito Topázio Silveira Neto (PSD). A candidatura de Jorginho esperaria que o apoio de Topázio pudesse estimular a adesão também de Gean Loureiro. Com seus 555 mil votos, o ex-prefeito de Floripa tem sido procurado pelas duas campanhas. Para o lado de Jorginho, embora tenha antecipado voto a Bolsonaro no primeiro turno, pode pesar desentendimentos no passado. Em 2018, Filipe Mello deixou a Casa Civil da administração Gean e todo PR, sigla a que os Mello pertenciam, se retirou. Para o de Décio Lima, pesa a relação belicosa que mantém com os sindicatos e servidores públicos.

(Denner Ovidio/Divulgação)

Fora da bolha
Décio Lima já fez o primeiro turno com cinco siglas na Frente Democrática (PT, PSB, PCdoB, PV e Solidariedade), agora quer pessoas de todos os setores. “Temos que falar com todos os setores. Nossa fala é para aglutinar forças, vencer as eleições e derrotar o fascismo”, disse ele, em plenária com deputados eleitos e representantes da sociedade civil e movimentos sociais na Federação dos Trabalhadores no Comércio do Estado de Santa Catarina (Fecesc). Décio agregou o apoio do Psol e deve contar com o PDT, embora o candidato Jorge Boeira, por enquanto, não pretenda declarar voto. O pedido de Décio e Bia Vargas (PSB), candidata a vice, é para que a militância intensifique o corpo a corpo e vença a bolha nas redes sociais. Para Décio, não é hora de se perder em discussões ou cair em provocações dos adversários. “Vou falar uma coisinha que senti o tempo todo. Muita gente não acreditava que eu poderia estar aqui hoje. Quero dizer que temos que acreditar. É possível fazer uma nova história em Santa Catarina”, pediu, animado com a vinda da filha de Lula, a jornalista Lurian Silva, para ajudar na campanha.

Sete siglas
Com o Pros-SC de Ralf Zimmer, sete siglas declararam apoio ao candidato Jorginho Mello nesta primeira semana do segundo turno. O candidato disputou o primeiro turno em chapa pura do PL, agora já soma PP, MDB, PSDB, PTB, Republicanos e Cidadania. Jorginho anunciou na segunda-feira que o único pré-requisito para alianças seria o apoio a Bolsonaro.

Multa
Tribunal Regional Eleitoral manteve multa de R$ 53 mil ao Mapa Marketing e Participações por inconsistência de dados em registro de pesquisa eleitoral no primeiro turno. O instituto de pesquisa havia recorrido, mas não conseguiu superar a falta de informação sobre bairros ou regiões em que a pesquisa foi realizada, dentro do prazo previsto na legislação.

Gasto maior
Terceira data mais importante para o varejo, atrás do Natal e Dia das Mães, o Dia das Crianças deste ano deve movimentar o comércio catarinense até a próxima semana. Pesquisa da Fecomércio SC sobre a intenção de compras na data aponta alta de 20% no gasto médio, chegando a R$ 236 em termos reais. Considerando a inflação, as famílias pretendem desembolsar 10,37% a mais nos presentes em relação a 2021. Quase metade deve escolher brinquedos, depois roupas.

Produção e edição: ADI/SC jornalista Adriana Baldissarelli (MTb
6153) com colaboração de Cláudia Carpes.
Contato peloestado@gmail.com

Sobre Daniella Schneider

Veja Também

E as ações para garantir segurança nas escolas?

Após um estudante atacar um colega a faca, nesta terça-feira, 2, na escola à Escola ...

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.